Bastonário: mais transparência e mais capacidades formativas

Durante o mostrEM 2017, a mostra de especialidades médicas organizada pelo Conselho Regional Sul da Ordem dos Médicos (CRSul), em colaboração com o Conselho Nacional do Médico Interno (CNMI), o Dr. Miguel Guimarães, Bastonário da Ordem dos Médicos, falou perante mais de 500 jovens médicos sobre o futuro da formação médica em Portugal.

Abordando a notícia já avançada nos meios de comunicação social sobre o mapa provisório de vagas para a especialidade, o qual prevê 1719 vagas de colocação em 2018 (mais 39 vagas comparativamente ao mapa do ano passado), o Bastonário salientou o compromisso da Ordem na "maximização das capacidades formativas", tanto no setor público como no privado, e no reforço da transparência na aferição de capacidades e idoneidades formativas, cuja documentação relativa a este processo será divulgada num futuro próximo.

O Bastonário da Ordem dos Médicos referiu ainda ter obtido o compromisso, por parte do Ministro da Saúde, de que se vão desenvolver esforços no sentido de reforçar a capacidade de formação especializada no SNS, “durante o mês de maio”, sobretudo através da correcção de “deficiências ao nível dos equipamentos e das estruturas físicas" dos locais de formação.

Adicionalmente, ressalvou a preocupação da Ordem dos Médicos com o “excessivo número de estudantes nas escolas médicas” e com o aumento do número de vagas para o curso de Medicina em Portugal. Segundo o Bastonário, este aumento, em quase 400% nos últimos 20 anos deve-se, entre outros fatores, a uma “imposição por parte do Ministério da Ciência e do Ensino Superior” que, conjugado com o número cada vez maior de candidatos oriundos de faculdades de medicina estrangeiras (mais 100 candidatos que no ano anterior), colocam sérias dificuldades no acesso à formação específica em Portugal.

Terminando a sua intervenção, o Bastonário apelou à permanência dos jovens médicos no setor público e à responsabilização individual de todos os presentes, como médicos e como cidadãos, na promoção e exigência, perante a Ordem dos Médicos e a sociedade civil, de uma Medicina de qualidade.